Jorginho destaca vaias e pede apoio da torcida: "Nem todos são como o Romário"

Jorginho destaca vaias e pede apoio da torcida: “Nem todos são como o Romário”

Não faltou emoção para Jorginho no jogo que marcou o retorno ao Vasco. O 3 a 2 diante do Sport, neste sábado, saiu no apagar das luzes com Ramon, que deixou o banco de reservas aos 33 minutos do 2º tempo para soltar o grito dos mais de 8 mil presentes em São Januário. Mas as vaias também chamaram a atenção do treinador.

Paulão foi o principal alvo da equipe. Após marcar contra e participar do segundo gol do Sport, o zagueiro ouviu o tradicional coro nas arquibancadas. Erazo, ao ser chamado para substituir Ricardo Graça, lesionado, também foi vaiado – Valdir Bigode pediu o apoio. Para Jorginho, o momento é de ter a torcida ao lado dos jogadores.

– A equipe quer a atuação melhor, mas às vezes a gente leva muito para o lado negativo. A gente teve seis chutes a gol, eles tiveram dois. Fiz apenas um treinamento, procurei encaixar. O Vasco fez muitos gols, mas tem tomado gols. Não é simples jogar com uma equipe forte na bola parada. O torcedor é um apaixonado, mas que ele possa entender que ele tem o poder do termômetro de um jogo.

Nem todos os jogadores são destemidos como o Romário era. Mas tem jogador que precisa desse apoio, dessa motivação. Fiquei muito feliz quando o Erazo entrou, iam vaiar, mas começaram a aplaudir. Um momento meu aqui de gratidão mesmo à torcida do Vasco – disse Jorginho em entrevista coletiva.

Com o resultado, o Vasco chegou aos 15 pontos na tabela de classificação do Campeonato Brasileiro. Nesta quarta-feira, às 21h45 (de Brasília), a equipe faz a última partida antes da parada para a Copa do Mundo: o adversário é o Internacional, no Beira-Rio.

Vitória na estreia

– Não tenha dúvidas que vencer no primeiro jogo nos dá muita satisfação, alegria, mas foram apenas três pontos, uma vitória. Temos um processo longo, uma caminhada de muita dificuldade. Em alguns momentos, a nossa comemoração, especialmente no final, talvez para alguns seja um pouco demais, mas talvez as pessoas não saibam qual o sentimento de um atleta sendo vaiado, de ter substituições questionadas.

– Assim é o Vasco, essa vitória emocionante, com dificuldade. A gente fez um primeiro tempo excepcional, conseguimos depois reverter a situação e procuramos fortalecer o meio. O Raul tem uma saída muito boa, o Giovanni estava muito cansado, perdemos também o Ricardo na zaga, teve a entrada do Erazo, temos de apoiar nossos jogadores.

A diferença entre o atual e o antigo trabalho no Vasco

– A diferença (para o time anterior que dirigi) é clara em termos de maturidade, tinha uma equipe com média de idade de 30 anos, era uma equipe bem cascuda, bem experiente mesmo. Essa é uma equipe mais jovem. Mas o que é muito bom de ver nas duas equipes é que são equipes muito guerreiras, com a cara do Vasco. São duas equipes que têm o coração que o Vasco precisa.

Pouco tempo de trabalho até a estreia

– Não foi feita nenhuma mágica, a gente não fez muita coisa, foram 20 ou 30 minutos de treino somente, basicamente trotando para não cansar. Eu perguntei a eles porque nossa equipe faz gol e leva. Eles falaram que realmente precisamos trabalhar defensivamente. O forte dessa equipe do Claudinei é justamente a entrada do Marlone e do Rogério num facão, e nós fomos muito bem. Deu para ver a organização de tudo o que fizemos. Em 30 minutos, eles gravaram. Esse é o nível de concentração.

Sequência de trabalho

– Os gols sofridos não foram por uma falha defensiva. Um golaço desse não tem nem o que falar, a gente pressionou o Michel, mas ele foi feliz. Quero ressaltar o trabalho do Zé Ricardo e sua comissão. Vamos dar continuidade ao que vinha sendo feito e vou colocando aos poucos a minha forma de trabalhar.

Sistema de jogo

– De tudo um pouco, essa equipe vai ter o meu jeito, a minha metodologia de trabalho, o meu sistema, não fico muito preso a um sistema apenas, gosto de variar. A gente não podia de forma nenhuma perder esse jogo. Eu saí do meu banco e fui até os jogadores comemorar no escanteio, nunca fiz isso na minha vida. Eu falo para os atletas que eu já passei por isso, já fui vaiado, precisa perseverar, fazer o simples para depois tentar o mais complexo. Vai fazer toda a diferença essa intertemporada.

Pedido ao torcedor

– Se a gente empatasse, provavelmente sairia vaiado. Então peço de novo ao torcedor, apóie esse time, apóie, você torcedor é muito importante aqui. Talvez para o torcedor não seja o melhor que ele imagina, mas preciso valorizar esse grupo. Esse grupo está sendo muito machucado, mas está entendendo que é o momento de se fechar e se unir. Juntos somos mais fortes.

Globo Esporte