Campello se reúne com jogadores por salários, e Abel revela dificuldade em reforçar o Vasco

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A manhã de quinta-feira foi de calor forte no Rio de Janeiro e trabalho para o grupo do Vasco. Sob olhares de Abel Braga, no CT do Almirante, os jogadores foram a campo logo no segundo dia da pré-temporada – a quarta foi de testes físicos e exames clínicos, sem acesso permitido da imprensa. A crise financeira que impede o pagamento dos salários atrasados e dificulta a busca por reforços, porém, dominou a primeira entrevista coletiva do treinador em 2020.

Pouco antes do trabalho físico ser iniciado sob comando do preparador Flávio de Oliveira, o presidente Alexandre Campello conversou com o grupo de jogadores. Abel revelou que o encontro teve duas partes e que só participou da primeira, a de apresentação da temporada. A segunda abordou o débito salarial de novembro, 13º e férias e a promessa não cumprida de regularizar a pendência até o final do ano passado.

  • Depois da apresentação, ele (presidente) teve uma conversa particular com os atletas. Não sei o que foi falado. Com certeza deve ter sido em relação a isso. O legal foi que os jogadores saíram da reunião bem tranquilos. E estão trabalhando com seriedade. Isso, para mim, é o mais importante – disse Abelão, para completar:
  • Houve uma reunião de rotina do presidente, que explicou a todos o momento, as situações, os problemas e as notícias que surgem. As coisas em que pé estão. Isso é legal porque a gente não vai esconder nada. Vai procurar agir sempre com a verdade, procurando não sair do caminho da razão, que é importante.

Abel foi questionado ainda sobre a necessidade de reforços. Até o momento, o Vasco contratou apenas o atacante argentino German Cano. O técnico admitiu que há dificuldade em efetuar contratações e se disse frustrado por ter tentado três atletas sem sucesso – ele só revelou o nome de Uendel, lateral-esquerdo do Internacional.

  • Isso que me chateou. Eu liguei para três. Um praticamente cheguei atrasado, ele já tinha falado com outro clube. Não me disse que tinha dado a palavra. O outro, não. Rolou o papo. Ele disse que tinha de falar com a esposa. E depois ela não quis morar no Rio. Poxa. Rio é a capital do Brasil. Os problemas que temos são os mesmos dos outros, mas aqui temos a beleza natural. Não veio, paciência. Cada um sabe da sua vida. Eles também não têm noção exata do tamanho do Vasco. Deveriam ter prestado mais atenção no que a torcida fez nos últimos meses. Foi sensacional – afirmou o comandante.

De acordo com Abel, Uendel não quis jogar no Vasco:

  • Ele foi o primeiro a ser conversado. Esse não teve nada de não querer vir para o Rio. Ele não quis vir para o Vasco. O pior é que estou vendo que ele vai ficar no Inter, que não o quer. Isso é passado. Ele foi o primeiro jogador realmente tentando. Então, vamos com os garotos. Vamos com eles. Problema zero. Dentro da continuidade, com mais cama, vamos tentando melhor ao longo do ano.

O técnico afirmou ainda que os problemas financeiros do Vasco são exagerados.

  • Está um pouquinho complicado (reforçar o time). Situações foram várias. Tinha um jogador que seria bem importante para nós a nível de grupo, e a esposa não quis vir morar no Rio de Janeiro. Ouro ficou preocupando, achando que o Vasco está com um problema exagerado. Não é bem assim. São problemas sérios, mas não exagerados. Todos os problemas aqui estão sendo administrado e sendo controlados. Então, nós temos encontrado dificuldades. Nós não vamos fugir daquilo de característica que o jogador precisa ter para cair no agrado da torcida. Não vamos fugir disso, não vamos fazer loucuras. Aquilo que vier… a margem de erro tem de ser muitíssimo pequena. Se puder ser erro zero, melhor ainda – analisou.

Questionado sobre a possibilidade de contratar Dedé, zagueiro que negocia a saída do Cruzeiro, Abel preferiu a cautela. Destacou que o momento é de aguardar. Mesma posição quanto ao volante Guarín, que negocia a renovação.

  • Guarín é renovação com o clube, que tem diretrizes e padrões. Agora tem padrões. Não sei qual o desejo, não conversei com o jogador. A direção está vendo isso, dentro da possibilidade do Vasco. Qual o clube que não quer o Dedé? Mesmo sabendo que ele não é um jogador que pode participar seguidamente de jogos quarta e domingo. Ele aqui no Vasco é simplesmente venerado e adorado. É um jogador que encaixa e faz muito bem a qualquer equipe. É o tipo de jogador incrível que se transforma em dois ou três na área defensiva. Vamos esperar. Não falei com ele pois não preciso, ele sabe que onde eu estiver ele será bem-vindo – finalizou.

Em 30 de dezembro, na última manifestação pública, Campello disse que trabalhava para pagar os salários nos próximos dias. O Vasco estreia no Carioca, dia 19, contra o Bangu em São Januário.

Fonte: Globo.com

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